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Início das gatilhadas
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Como a maioria de nós, suponho, desde pequenino estive habituado a lidar com as ditas “chumbeiras”. Ou na casa de familiares ou na casa de amigos havia sempre alguém que tinha uma. Como a curiosidade foi sempre um dos meus pecados e sempre que podia, pedia para me deixarem ver, tocar e atirar, por isso o gosto pelo tiro vem desde cedo.
Enquanto andava a estudar, com as poupanças decidi comprar a minha primeira pressão de ar. Comprei uma Gamo Delta Fox, em que lhe meti uma mira 6-24x56, mas só depois de montada a mira é que reparei que o cano não abria
Quando acabei os estudos, depois de já ter trabalho e finalmente com algum dinheiro no bolso, comecei a pesquisar mais a sério isto do tiro com pressões de ar o que me levou inevitavelmente a este fórum. Esta passou a ser a minha casa, a fonte de informação sobre o tiro com ar comprimido. Posso dizer que já vi todos os tópicos que foram aqui colocados, mas infelizmente com o problema informático que houve muita informação que perdeu. Aprendi muito.
Ia lendo, colocando perguntas/dúvidas, vendo vídeos, e a ideia de começar a fazer FT começou a ganhar força. Após muita leitura comecei a perceber que as famosas Gamo são na verdade um engana meninos para o seu preço, e que havia um leque maior de oferta para as ditas pressões de ar
Não queria cometer o mesmo erro pela 3ª vez. Decidi comprar então uma Cometa Fusion Star. Posso dizer que era tudo o que queria naquela altura. Arma potente apesar de já ter lido que os 16j eram suficientes, bonita, melhor qualidade, melhores prestações e acima de tudo cumpria com o orçamento. A arma chegou, meti-lhe uma zos 10-40x60 e o conjunto estava “ready to go”:disco:. Ora a partir daí aquele gozo que tanto tinha procurado voltou a aparecer. Apontava para determinado alvo e não é que acertava nem que fosse á 6ª?! Maravilha pensei eu, chorando mais uma vez o dinheiro investido nas gamo. Comecei então a fazer o tiro informal no quintal e desfrutar da nova arma que era uma máquina. Mas esse tempo pouco durou.
Pela mesma altura que chegou a arma, soube que havia um clube aqui na minha terra. Decidi então ir lá ver como aquilo era, como funcionava e se acima de tudo se se praticava a modalidade Field Target. Quando descobri que no clube se podia praticar FT/BR fiquei maravilhado. Tinha material bom para começar a treinar, tinha clube onde me poderia inscrever para fazer provas, ou seja já não havia desculpas para canalizar todo aquele gozo numa coisa mais a sério e a longo prazo. Já que gostava do que fazia, porque não fazê-lo num aspecto mais profissional?!
Filiei-me logo na mesma semana e comecei a ir treinar a serio. Foi com a entrada para o clube que o mundo das armas PCP se tornou real, pois até ao momento apenas tinha lido, visto vídeos delas. Não me passava pela cabeça dar 500-600€ por uma arma, vale-se o que ela vale-se. Já tinha comprado um bom conjunto para começar e iria fazer valer aquele investimento.
O clube tinha uma Hammerli AR20 FT, e podia treinar com ela. Quando experimentei a arma fiquei logo apaixonado e percebi o que tanto falavam que distinguia as pcp das springers. O facto de não ter o coiçe era fenomenal. Desde sempre habituado a armas de mola, e com a cometa a 24j, passar para uma pcp aquilo foi o céu. Posso dizer que a Cometa não chegou a disparar 2 caixas de chumbo. Como tinha uma pcp á minha disposição, encostei mais uma vez o material.
Pouco depois houve uma prova de BR e decidi ir. Aí é que foi a facada fina. Na prova deparei-me com uma série de armas pcp, mas a que me fixou e prendeu (até hoje) foi a S400. Arma extramente sexy, precisa, leve, e sem coiçe, fenomenal numa só palavra. Estava finalmente rendido ao mundo das pcp! A partir daí, a cometa ficou decididamente encostada enquanto me ia deliciando com a Hammerli e inteirando mais sobre o mundo das pcp.
Passou-se uns meses e entretanto como já andava a treinar algum tempo, o gosto pelo tiro e pela modalidade tinha-se tornado uma certeza. Decidi então que era hora de tirar a licença federativa para poder participar em provas oficiais.
Parte II
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Início da caminhada pelo mundo do FT
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Já com licença federativa, e como estávamos ainda na parte morta da época do FT/BR, limitei-me a ir treinando mas sempre com a ideia de na época seguinte começar a ir às provas. Penso que foi nessa altura que houve aquele fantástico Workshop. Nada melhor em mais oportuno momento. Para mim, inexperiente nestas andanças, aquela acção de formação serviu para aprender bastante e tomar consciência de pormenores que nunca me passariam pela cabeça. Foi de todo uma oportunidade fantástica para aprender, e um prazer em ter podido participar.
Entretanto apareceu-me um negócio daqueles que não aparecem muitas vezes na vida. Como me tinha vindo a informar mais sobre as pcp, comecei a ver reviews de várias marcas/modelos, e sabia que o que tinha entre mãos era irrecusável. Comprei então a minha Daystate Mk4 e a Falcon T50. Num espaço de 1 ano passei de uma Cometa Fusion Star com uma Zos para uma DST com uma T50. Não podia estar melhor servido, para quem ainda nem sequer tinha entrado em competição.
Passou-se uns tempos e veio a 1ª prova do CN. Outil aqui vou eu.
Chegada a hora comecei a pensar que se calhar era melhor não ir, pois ia fazer figuras tristes. Ia para lá com material top tentar acertar alguma coisa e não tinha desculpas para o não fazer, pesei eu. Comecei a fraquejar, mas no final pensei que se não fosse aquela prova, não iria a nenhuma. Iria estar sempre a arranjar desculpas para justificar o medo a 1ª vez em competição. Decidido arranco para Outil, a minha 1ª prova de FT. O caminho para lá foi engraçado, e a prova ainda mais. Fui para a prova com marcações na torreta até os 24mt, a partir daí era atirar às cegas mas sempre tentando ter o esquema dar curva balística em mente. Ainda acertei uns alvos lá nos 40´s graças a isso. A prova correu como o esperado, mas uma coisa ficou certa, a paixão por este desporto ficou cimentada nesse dia. Poder estar em ambiente de competição a fazer o que gosto, e a dar-me gozo, o que mais poderia querer?! Aquela dúvida inicial de não querer investir muito dinheiro pois não sabia se ia gostar ou não, nesse dia ficou tudo preto no branco. Quero fazer isto até não poder mais.
Seguiu-se a prova em Sousel.
Sair de casa às 6 da manha para estar lá em baixo ás 11. Foi duro, mas o que isso custa quando é para fazer o que se gosta né?! Mas ainda nada fazia adivinhar o que aí vinha. Nessa 2ª prova devo dizer que aquela certeza toda acima descrita ficou um pouco abalada. A prova não correu nada bem por diversos motivos, e acima de tudo, o esforço que se fizera, para chegar ao fim e não se sentir nem de perto aquele gozo por atirar, devo dizer que comecei seriamente a pensar que se a maioria das provas fosse assim, então o melhor seria parar por aqui e voltar quando estivesse mais preparado. Psicologicamente Sousel foi um revés. Dias depois comecei a ver que afinal a minha impressão/opinião era partilhada por pessoas mais experientes. Afinal se calhar foi uma prova atípica pensei eu, afinal nem tudo está perdido. Se pessoas com mais rodagem pensam parecido então vamos acreditar que isto ainda tem salvação.
Pela altura de Sousel, o gosto pelo FT era tanto que pensei se não seria capaz de organizar uma prova de FT na minha terra. Apesar de a minha experiência pelo Ft na realidade ter passado apenas por 2 provas, sabia que com gosto e dedicação tudo se consegue. Começaram então a ser feitos contactos, ajuda cedida, muita boa vontade e camaradagem à mistura. Por muita vontade e dedicação que exista, sem aquilo tudo a prova não teria sido realizada. Consegui então firmar uma prova em Viana do Castelo.
Parte III
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De atirador a organizador
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A contagem decrescente para o dia da prova estava cada vez mais curta. Comecei a stressar pois sabia o que faltava fazer, o tempo que tinha para o fazer e estava tudo muito à justa. Onde me fui meter? No raio estava a pensar quando surgiu a ideia de organizar uma prova? Não vou ser capaz, pensei. Que barraco que vai ser, atirar-me para os leões e acabar por ser comido. Que vergonha
Dia de Prova (e meu aniversário)
É verdade, a escolha da data não foi propositada mas esse era o fim-de-semana ideal em termos de calendário. Essa data foi escolhida de modo a possibilitar a presença ao maior número de atiradores possíveis, e que a não fica-se muito perto nem do Open Ibérico nem da prova anterior. Ficou a meio caminho, e que melhor prenda de anos poderia desejar né
A prova de Viana penso que acima de tudo serviu para mostrar que aqui no Norte também se é capaz, temos sítios diferentes e acima de tudo é viável. A adesão foi fantástica, e penso que toda a gente adorou! Contando com uns contratempos, e incorrecções, (pecou a inexperiência), fora isso correu tudo bem e acima de tudo o seu propósito fora atingido. Organizou-se uma prova diferente e que as pessoas gostaram. Nesse domingo senti-me como uma criança rodeada de doces
Parte IV
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Continuação da caminhada
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Open Ibérico
Depois do Open de Viana depois seguiu-se o Open Ibérico. Além de ser uma prova a contar para o CN, acima de tudo a possibilidade de poder estar presente no meio de um maior número de atiradores e daí poder aprender, era óptimo. Essa foi a principal motivação para marcar presença nos dois dias de prova. Mal entrei no recinto fiquei logo com um sorriso. Aquele sítio era espectacular apesar de ser no normal ambiente de Ft, não sei porque aquele parecia escolhido a dedo. Tudo parecia pertencer ao seu devido lugar. O local em si, a maneira como estava organizado, os alvos, a escolha do sítio para eles, etc, etc…Tudo parecia encaixar que nem uma luva. Foi uma prova que apesar do resultado, senti-me totalmente realizado. Não me senti como das outras vezes que quando falhava ficava a maturar naquilo vezes sem conta. Lá falhava, houve vezes que percebia porque, outra que não entendia mesmo, mas mesmo assim aquilo não me aborrecia. Estava a desfrutar tanto do momento que isso não conseguia perturbar. Nesses dois dias gozei à brava! Foi um fim-de-semana de tiro em cheio. Foi mesmo excelente poder tido estar presente.
Prova da Figueira da Foz, e infelizmente a última prova este ano
Mal eu sabia que a minha incursão pelo FT este ano iria terminar por aí. Foi um dia espectacular. Serviu para aprender mais umas coisas/detalhes com a 2ª parte do Workshop, para conviver com a malta e acima de tudo para fazer o gosto ao dedo. Um local também diferente mas bastante atractivo e interessante. Passei um dia altamente e que quando chegou ao fim não me apetecia vir embora, queria poder ficar e continuar a atirar. Realizou-se também ali uma prova que deu provas de que poderiam haver mais provas oficiais no CN. Uma prova giríssima e que certamente não faltarei às próximas edições.
Infelizmente esta foi a minha última prova até ao momento. Gostava de poder ter ido à de Reveles, mas um problema/distracção com papelada impossibilitou-me de ter participado. Ainda tentei por outros meios mas infelizmente não. Fiquei bastante triste pois estava mesmo com vontade de participar, uma vez que sabia que era a ultima prova este ano (sem contar com a taça) e agora só para o ano. Paciência, é mesmo assim
E prontos, como já me alonguei bastante fico-me por aqui. Só queria partilhar com vocês o testemunho desta minha nova experiencia neste desporto fantástico que é o FT. É uma modalidade que amo, e que continuarei a praticar até não poder mais
Parte V
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Concelho
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Só quero deixar aqui uma achega relativamente a quem não se quer meter nisto, ou está com dúvidas porque pensa que é um desporto caro. Como um colega daqui disse, se isto for bem pensado só se gasta dinheiro uma vez. O que é preciso é saber comprar e contrariar aquela ânsia de ter material para atirar, pois assim só se vai cometer erros de julgamento pela precipitação.
O que não falta é informação disponível, é preciso é saber ler, procurar e ponderar muito bem e as boas escolhas aparecem. Existem sempre bons negócios em 2ª mão. Claro que o investimento inicial é puxado, mas só se gasta dinheiro uma vez, depois é só chumbos
Comparem o custo do bom material e manutenção deste desporto com outros deportos e depois vejam se não estou a dizer a verdade.
Continuação e bons tiros.