Artigo de Terry Doe adaptado por Tiago Ribeiro
O Field Target é para todos os efeitos um hobby, uma modalidade de tiro recreativo, mas tal como todas as outras modalidades, tem uma vertente competitiva que embora seja mal vista por alguns, é sem dúvida uma força de motivação para maioria que pratica esta modalidade. Este artigo condensa em si, de um modo muito sucinto e pouco aprofundado, boa parte dos fundamentos da técnica e da mentalização por detrás do atirador de competição no Field Target.

1) Tem que fazer parte para ganhar alguma coisa!
Não fique sentado a pensar como será fazer parte de uma competição de Field Target ...envolva-se!
2) Não tenha pressa!
Ninguém se torna um campeão de um dia para o outro, dê a si próprio algum tempo de estudo teórico e treino para desenvolver a sua técnica.
3) Informação e formação.
Nunca se sabe tudo sobre este desporto, há sempre algo novo a aprender. O intercâmbio de ideias entre os mais e os menos experientes beneficiam todos, os mais novos com saber de experiência feito e os mais veteranos com perspectivas novas.
4) Decisões e opções.
Decida-se; quer mesmo competir pra vencer ou fica perfeitamente satizfeito apenas por conviver e participar? Ambas as perpectivas são perfeitamente válidas, mas apenas uma o poderá levar ao topo deste desporto, por isso seja realista
5) Até que ponto deseja ir?
Caso decida que o seu objectivo é competir pra vencer, então a questão seguinte é o que está preparado para fazer de modo a alcançar esse objectivo. Lembre-se que normalmente o seu nível de dedicação traduz-se no seu nível de sucesso.
6) Equipar para cumprir.
Use o equipamento mais adequado para si e ao modo como atira ...é importante frisar que “mais adequado” não quer dizer “mais dispendioso”, quer dizer “mais adequado ao seu bolso e à sua compleição física”.
7) Cada um é como cada qual.
Você é um indivíduo, com as suas opiniões, requerimentos, pontos fortes, fracos e peculiaridades. Assegure-se que na medida do possivel o seu equipamento aproveita as suas qualidades e minimiza os seus defeitos. Trabalhe para adaptar o seu kit a si, nunca o oposto.
8) Apenas munição perfeita produz troféus!
Use apenas chumbos em perfeitas condições na forma e qualidade dos mesmos, isto é obrigatório tanto para as sessões de treino como para a competição. Teste vários tipos de munição na sua carabina, seleccione e use apenas o tipo/marca que melhor funcionar na sua arma. Verifique sempre se há chumbos amolgados antes de os inserir na carabina ...lembre-se que são os chumbos que batem no alvo, não o atirador.
9) Treino, prática, rotina.
Existe uma enorme diferença entre atirar e treinar para atirar. O treino consiste num programa estruturado para melhorar a sua eficiência como atirador. A vasta maioria dos atiradores treinam os aspectos do Field Target onde já são bons e que gostam de praticar, quando na realidade deveria ser a situação oposta!
10) Faça chuva ou faça sol...
Demasiado molhado ou ventoso para treinar? Então e o que fará nos dias de prova em que chova ou o vento sopre? Claro que há limites mas o facto é que se o S. Pedro acordar no lado errado da cama os atiradores mais habituados a todo o tipo de condições metereológicas estarão muito melhor preparados que os demais.
11) Fique quieto!
Nenhum atirador consegue segurar uma carabina de um modo perfeitamente estável, por isso pare de se preocupar pelo facto de o reticulo não parar quieto em cima da killzone. Tente integrar esse movimento na sua técnica de tiro em vez de o combater. Tente seguir esta sequência:
1 -Aponte para o topo do alvo e insipire fundo.
2 -O retículo irá descer e quando chegar à base do alvo para de inspirar.
3 -Expire calmamente de modo a fazer o retículo subir até à killzone e sustenha a respiração.
4 -Aperte o gatilho e mantenha o retículo sobre a killzone até que o chumbo atinja o alvo.
12) Contra-relógio.
A sequência anterior demora não mais que 5 segundos a ser executada, mentalize-se disso! É capaz de controlar o movimento da carabina durante 5 segundos? Claro que sim! A pressa é inimiga da perfeição mas os músculos não aguentam segurar de um modo controlado uma carabina pesada por muito tempo.
13) Não aguente!
Quando uma sequência de tiro se começa a perder, o retículo começa a passear de um lado para o outro, e é certo que nunca mais recuperará o controlo, mais vale parar e recomeçar tudo de novo. Não desperdice um tiro pela teimosia de querer voltar a manter o retículo quieto e comportado em cima da killzone, pois esse é o modo mais certo e comum de se falhar um tiro
14) Acabe o serviço.
Como atirador o seu objectivo é acertar no alvo, e essa função não acaba até que o chumbo pare de voar. Por isso não faça o que a maioria dos atiradores, perde o interesse no alvo assim que aperta o gatilho, mantenha a pontaria até que o chumbo bata no alvo, a isso chama-se “follow-through”, e é uma das mais importantes e mais ignoradas competências do atirador.
15) Mais ou menos.
Nunca se esqueça que todos os alvos valem o mesmo independentemente de poderem estar mais próximos ou longínquos, é muito comum os atiradores falharem os alvos fáceis/próximos porque estão demasiado concentrados nos alvos mais dificéis. Dê sempre a sua total atenção a todos os alvos pois o cartão de pontuação não distingue os alvos fáceis dos mais dificéis.
16) Gestão do tempo.
Alguns eventos são cronometrados pelo que tente assegurar-se que tem tudo bem preparado (munição, posição do corpo, etc) antes de meter a carabina à cara e o tempo começar a contar. Há tempo mais que suficiente para completar a tarefa sem ser neessário apressar-se por isso não entre em pânico, isso apenas contribuirá para uma má pontuação
17) Se perder uma batalha pode sempre ganhar a guerra!
Um alvo falhado é uma perda completa apenas se não aprender nada com isso. Se avaliar correctamente a razão pela qual falhou pode usar essa informação para acertar no(s) alvo(s) que se seguem. Uma boa técnica e um follow-through estável muitas vezes permitem ver o embate do chumbo na silhueta metálica do alvo, esta informação pode muitas vezes ajudar o atirador a compensar correctamente a distância e o vento.
18) Familiaridade.
Não se deve enfrentar situações desconhecidas numa prova, o atirador deve tentar prever e brincar com uma série de situações pouco comuns que podem acontecer numa prova como alvos em ângulos estranhos e todo o tipo de distâncias. Deve treinar todo o tipo de situações até que a confiança na experiência substitua o medo do desconhecido.
19) Endurecido pela batalha.
Não há substituto para a experiência ganha em competição, pelo que deverá aproveitar todas as oportunidades para competir com outros em prova e ganhar experiência e consequentemente confiança debaixo da pressão de uma prova.
20) Divirta-se!
O Field Target é na sua essência um desporto divertido, e é assim que é suposto ser, já nos bastam as chatices do dia-a-dia. Querer “competir para vencer” não é o mesmo que “ter que vencer tudo e todos”, é essencial saber distinguir estas duas faces da mesma moeda pois enquanto a primeira leva à satizfação pessoal por ser capaz de se superar a si prórpio fazendo algo bem feito, a segunda apenas leva à frustração e a um espírito muitas vezes pouco desportivo. Quanto mais apreciar este desporto mais motivado se irá sentir e isso concerteza ir-se-à notar nas pontuaçoes com o tempo e no gosto pelo Field Target.